Esposa, filhos, gato e jornal. Tinha tudo que poderia desejar. Não era um conceito abstrato estampado com a tinta preto-hipocrisia em camisetas brancas, mas a paz verdadeira. Beth recortava revistas de moda. O gato ronronava no sofá. As crianças encenavam histórias com caixas de sapato e pedacinhos imaginação. Visto da janela de casa, os dias nublados não passavam de nuvens branquinhas brincando pelo céu ao alcance dos braços luminosos do sol. Enfim, o mundo era somente um detalhe que tentava invadir pela fresta que se abria quando ligava a televisão.
Mas um dia, num relance desinteressado, olhou panoramicamente a sala. O que viu criou um ponto negro na sua alma: Beth recortava revistas de moda. O gato ronronava no sofá. As crianças encenavam histórias… Começou a criar um rancor das crianças repetindo as mesmas histórias, de Beth recortando mil revistas iguais, do gato que dormia no mesmo canto todos os dias nas mesmas horas. O mundo começou a penetrar pelo ponto negro e enraizar-se num ódio. Olhava outras mulheres, chutava o gato, deixava as crianças de lado. O rancor da rotina reverteu-se numa raiva que rosnava contra todos. Mas os dias se sucediam implacavelmente: Beth rasgava revistas de moda. O gato escondia-se embaixo do sofá. As crianças encenavam histórias sobre brigas de casal.
Apareceu então Anitora, uma mulher que não se repetia: nunca ia ao mesmo lugar, não usava duas vezes a mesma roupa, nunca acordava na mesma hora. Ela era o inverso de seu mundo. Quanto mais andava com Anitora, mas odiava o que tinha. Odiou tudo silenciosamente até que não havia mais nada para odiar. Beth recortava anúncios de imóveis. O gato andava perdido pelos telhados. As crianças encenavam caminhões carregando sofás.
Com Anitora, a vida era fascinante, nova. Trouxe-a para si. Acontece que Anitora nunca sentia o mesmo interesse, não dormia duas vezes na mesma cama, não amava duas vezes a mesma pessoa. Ela era só um dia. Com o tempo, Anitora era um fantasma que o assombrava com desprezo e ausência, enquanto ele, sentado, olhava um vazio que recortava revistas de moda, um vazio que ronronava no sofá e um vazio que encenava histórias com sua imaginação.
Mas um dia, num relance desinteressado, olhou panoramicamente a sala. O que viu criou um ponto negro na sua alma: Beth recortava revistas de moda. O gato ronronava no sofá. As crianças encenavam histórias… Começou a criar um rancor das crianças repetindo as mesmas histórias, de Beth recortando mil revistas iguais, do gato que dormia no mesmo canto todos os dias nas mesmas horas. O mundo começou a penetrar pelo ponto negro e enraizar-se num ódio. Olhava outras mulheres, chutava o gato, deixava as crianças de lado. O rancor da rotina reverteu-se numa raiva que rosnava contra todos. Mas os dias se sucediam implacavelmente: Beth rasgava revistas de moda. O gato escondia-se embaixo do sofá. As crianças encenavam histórias sobre brigas de casal.
Apareceu então Anitora, uma mulher que não se repetia: nunca ia ao mesmo lugar, não usava duas vezes a mesma roupa, nunca acordava na mesma hora. Ela era o inverso de seu mundo. Quanto mais andava com Anitora, mas odiava o que tinha. Odiou tudo silenciosamente até que não havia mais nada para odiar. Beth recortava anúncios de imóveis. O gato andava perdido pelos telhados. As crianças encenavam caminhões carregando sofás.
Com Anitora, a vida era fascinante, nova. Trouxe-a para si. Acontece que Anitora nunca sentia o mesmo interesse, não dormia duas vezes na mesma cama, não amava duas vezes a mesma pessoa. Ela era só um dia. Com o tempo, Anitora era um fantasma que o assombrava com desprezo e ausência, enquanto ele, sentado, olhava um vazio que recortava revistas de moda, um vazio que ronronava no sofá e um vazio que encenava histórias com sua imaginação.